A Rosa


Quando eu era pequena e usava rabo-de-cavalo,
entrei em uma dessas antigas lojas
de artigos de pechincha,
com soalho que range e cheirando a pipoca e doces baratos.
Eu estava à procura de um presente para o Dia das Mães.
Escolhi uma rosa vermelha de plástico.
Escondi-a em meu quarto, compus um poema para
a data especial e entreguei o presente à minha mãe.

Depois da morte dela, encontrei a rosa,
já desbotada e empoeirada,
mas ainda no vaso de cristal sobre uma bandeja de prata.
Mamãe a guardou por 30 anos.
O Natal que se seguiu à morte dela foi muito triste.
Não havia mais a tradicional ceia familiar preparada por ela,
a mesa farta decorada com motivos natalinos,
e seu amor generoso, principalmente com os netos.

Para consolar-me, meu marido comprou vários presentes
especiais que estavam um pouco acima de nossas posses.
Depois de abrir todos, eu ainda continuava muito triste.
De repente, vi o presente oferecido por meu filho de seis anos.
- Eu escolhi este presente sozinho, mamãe - ele disse com orgulho,
estendendo o braço para entregar-me.

Dei um largo sorriso e senti um enorme conforto ao aceitar aquele tesouro.
Um anjo devia ter sussurrado ao ouvido de meu filho,
quando ele fez aquela escolha.
Era uma rosa vermelha artificial.

(Nancy I. Pamerleau...trad. p/ Maria Emília de Oliveira)                




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