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Uma jovem de cabelos loiros e olhos azuis nasceu cega.
Quando tinha 12 anos, os médicos realizaram um novo tipo de cirurgia em seus olhos
que, se fosse bem-sucedida, lhe daria a possibilidade de enxergar.
O resultado só seria conhecido alguns dias após a cirurgia.
Depois que as ataduras foram retiradas, os olhos daquela jovem precisaram
ficar protegidos da luz.
Ela aguardou o resultado no escuro.
A mãe passou longas horas respondendo às perguntas da filha
sobre como eram tais e tais coisas e o que ela enxergaria.
Ambas estavam tão empogadas diante das possibilidades de êxito
que quase não conseguiam dormir.
O tempo todo, mesmo no escuro, elas conversavam sobre coisas bonitas
- cores, formatos, beleza de todos os tipos.
Finalmente, chegou o momento em que os olhos da moça já tinham condição
de suportar a luz que vinha de fora.
Ela se sentou perto da janela por um longo tempo sem dizer nada.
Lá fora, o dia de primavera era ideal
- brilhante e cálido, com nuvens brancas e fofas decorando o céu azul.
As flores que a brisa leve derrubava das cerejeiras cobriam o chão,
dando a idéia de uma camada de neve cor-de-rosa.
Açafrões amarelos enfeitavam orgulhosamente as laterais do caminho de tijolos
que serpenteava no meio do gramado.
Quando a moça olhou para a mãe, lágrimas corriam por seu rosto.
- Oh, mamãe, porque você não me disse que era tão lindo assim?
Autora Alice Gray
Musica: Allegro Non Troppo Allegro Con Spirito
