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Murmuras e acreditas no meu dote poético
Na minha lavra desregrada - que espanto!
Sou apenas um flente - nada ético

Faço das minhas lágrimas a tinta
Do papél o escravo das palavras
E da pena... para que de mim - sinta!

A nuvem negra passa e depois volta
Novamente passa ( aí vem a esperança )
Tento expilar a alegria - só revolta

Oh! fiel e impetuosa amante - a solidão
És tu, minha inseparável companheira
A ti, atribuo esta transitória paixão

Dores explosivas silenciam a minh'alma
Ferindo este corpo quase inerte - sofrido
Com a sensação de ora perder a calma

Retido estou, no invólucro solitário
De entre paredes e baixos gemidos
Entendo! Houveram dores maiores no calvário

AQUI JAZ um suposto poeta - triste e só
No glorioso reduto humano de incompreensão
"Memento quia pulvis es ( lembra-te que és pó ).

Autor : Antonio Dirceu Borelli             
Musica : Jessé * Porto Solidão             



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