Carta
à minha mãe
Na verdade, mãe, li não sei onde , que mãe
é esse ser sagrado, abençoado , protegido em especial
pelos anjos. Deve ser. Mãe é pra cedo, à
tarde, à noite, sem
descanso. Mesmo que ela tenha rosto jovem ainda
e esse cheiro de talco e sabonete
que você deve ter ainda e me dá tanta saudade.
Mãe é pedra por fora, trasgos dessa vida e doce
de
leite por dentro, vontade de Deus. E a nossa mãe , é
sempre a mais bonita, a mais inteligente, a mais-mais..
E você pra mim, é a mais importante de todas as
mães juntas: é a minha mãe! E não
é só por isso que é especial não.
É porque você me ensinou coisas que talvez
não estejam em nenhum manual das mães dos outros:
confiar no mundo, acreditar na vida e nas pessoas, respeitar
e gostar de literatura, café com leite
e... tentar sempre! Me ensinou a fazer da experiência
do fracasso, uma lição para o futuro. E mais:
ensinou que o amor é a coisa mais importante que existe
nesse mundo
e que a liberdade total que se dá aos filhos nem
sempre é amor, é rendição, irresponsabilidade,
descompromisso para com a vida deles. E foi por isso mesmo que
você me bateu muitas vezes, mas me
abraçou muito, compreendeu , perdoou e ensinou
milhares de vezes mais...
Sei que se pudesse ler isso, você que é puro doce
de leite, iria chorar feito eu no seu colo quando menina.
E, então, aproveito pra dizer que até chorar você
me ensinou. Que é bom, alivia... Que depois do choro,
tudo vira arco-íris. E é um arco-íris que
eu te
mando agora, pra você por em sua testa ao redor dos cabelos.
Pra que quando os anjos a virem passando,
fiquem sabendo que você sempre foi a mãe mais amada
do mundo! ...Nós estamos longe agora, de novo, como tantas
vezes. E a saudade chega doendo mais que as chineladas que levei.
Receba meu beijo estalado como aqueles
beijos tão gostosos que te dei quando menina!
Edna Feitosa
| Nota
da autora: trasgos: termo regional, uma espécie
de aparição , lado ruim e duro da vida (na
concepção da palavra, seria uma espécie
de assombração (algo que incomoda a alma)
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