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Como Todas as Flores
Nasceu uma flor
em chão fértil
resultado de amor!
A terra alimentou-a
com carinho maternal!
O sol, como todos os sóis,
fê-la crescer para ele
e banhou-a de luminosidade.
A flor indecisa,
ainda indefesa,
abriu suas pétalas
e sorriu para todos
com seu riso de pureza!
As flores mais velhas
os velhos galhos
mostraram-lhe o mundo
que ela descobria
pouco a pouco.
Falaram-lhe da beleza,
falaram-lhe do Criador...
E a flor sorriu para todos
com seu riso de amor!
Admirara-na, e tal seria
se assim não fosse,
pela vivacidade de sua cor.
Regaram-na muitas mãos
e a tornaram bela.
Olhos a quiseram só para si
até que o mais afoito
arrancou-a do pé
para enfeitar seu mundo
e dar-lhe calor.
Prisioneira num solitário
dois lindos botões
abriram-se no seu galho.
E a flor sorriu para todos
com seu riso protetor!
Sem cuidados, todavia,
embora num cristal acomodada,
sentiu suas pétalas
perderem o viço, a beleza.
E a flor sorriu para todos
Com seu riso de pureza!
No entanto, assim jogada,
quis alguém com muito zelo
fazê-la renascer.
Colocou-a n'outro vaso
ao lado de outras tantas...
E a flor sorriu para todos
com seu riso de esperança!
Sem sol e sem terra,
no meio a tantas iguais
sentiu que lhe tiravam a vida...
E a flor sorriu para todos
com seu riso de vencida!
Definhando pouco a pouco,
ia a coitada morrendo...
Mas olhos que a viram,
penalizados com tal sorte
resolveram tirá-la da morte.
Ergueram sua s pétalas
com armações simétricas;
banharam-na em cera,
deixaram-na secar
e, pronto!
Segura do seu sucesso,
contente com seu estado,
a flor sorriu para todos
com seu riso de obrigado!
Teria você
solução melhor
para o problema
da velha flor?
Autora: Cleide Canton Garcia.
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