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Devaneios
Gosto de me perder no escuro do céu
e me encontrar no brilho das estrelas;
uma nódoa me envolve como um véu
mas não consegue me impedir de vê-las.
Gosto de me achar no silêncio da solidão
para ouvir os suaves murmúrios do luar.
Então abençôo do infinito toda a imensidão
e a brisa da madrugada a me embalar.
Gosto de me sentir pelos cometas levada
a outros mundos, aos lugares de ninguém...
E na busca do belo me encontro embriagada
procurando, incessante, as belezas no aquém.
Meu rumo no sem rumo gosto de imaginar,
sem medo da solidão, do hoje ou do depois,
porque as cores do arco-íris, sempre a cintilar,
me mostram que nesta via não se anda a dois.
Guiada tão somente pelo doce olhar do coração
sigo feliz, sem sentir o ritmo dos meus passos.
Não há pressa e nem mesmo sinto se há chão,
só melodias onde solfejo os seus compassos.
Não vejo nem sinto mais ninguém por perto
bailando no ritmo e no mesmo tom cantando.
Mas sei que não estou só pois não há deserto
em que não se encontre um oásis esperando
O brilho prata-azulado que emana de tudo
deixando um rastro tênue de estranha beleza
me envolve também, pleno, sorrateiro e mudo
e me eleva da simples condição à realeza.
Devagar e suavemente a claridade aumenta
parecendo que o caminho está por terminar.
E vibrando, contente, o céu me apresenta
o lugar mais lindo que eu poderia chegar!
Volto a mim...
Divaguei...
Autora: Cleide Canton Garcia.
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