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Impensadamente

Dizendo-te como sou e o que penso,
na ânsia louca de te dar amor imenso,
parado ficou o tempo e restrito o mundo.
Na taça rubra da tua boca morna
bebi da sede que meu desejo adorna
e dei-te, sem troca, meu querer profundo.
Deixei a terra firme, mergulhei no manso,
toquei o infinito que sem força alcanço,
beijei estrelas, acalentei o luar...
Inebriei-me na fragrância da brisa,
perdi-me na cor que o céu matiza
e envolvi-me toda no calor do teu olhar.
Perdida no mundo encontrei-me no teu peito
embalando um sonho,recostada no teu leito.
Devolveu-me, a vida, a prenda mais cara...
E por uma razão única e sensata
permanece em mim a lembrança grata
dos teus carinhos, da tua voz tão rara!
Sonho hoje com o que ontem foi vivido
na doce esperança de que tenhas sentido
pelo menos, por segundos, um pouco de mim.
Quero no teu amanhecer vivas cores,
no teu despertar milhões de amores
e em todo o teu viver, uma paz sem fim...
Autora Cleide Canton Garcia ( 1976 )

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