Pobre Coração

Voando alto o doce coração alado
sonhando sonho lindo nunca sonhado,
de medos e de toda cautela despido
entrega-se, sendo, sem nunca ter sido.
Sugando as delícias todas num segundo,
Irradiando, em rubro,a beleza do mundo,
transborda mil sensações desconhecidas
no despertar de alegrias jamais sentidas.
Que torpor imenso de belezas tantas!
Que doces venturas , loucuras quantas!
Bailam no ar todos os gestos de ternura
só por tenros favos superados em doçura.
Laços se entrelaçam, gostos se misturam,
braços se abraçam, vozes só murmuram!
Dois mundos que se encontram na loucura,
dois caminhos que se cruzam na procura.
Quanto tempo durou todo esse encanto?
Quando foi que começou todo esse pranto?
O que afinal fizeste, coração, de tão danoso
para merecer esse fim tão desastroso?
Pobre de ti, sem essa amargura merecer,
não consegues superar o triste padecer
a que foste levado pela tola ingenuidade
da total entrega ,camuflando a realidade.
Bate, bate, bate coração, pulsa forte,
Mas não te abandones à própria sorte!
Amarás de novo num próximo amanhã.
O fraco não foste tu, tua procura foi vã!

Autora: Cleide Canton Garcia.   
05/10/2002 * 3:00 horas      



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